Visita ou encontro combinado; entrefala. Reunião entre duas pessoas, em local determinado, com o objetivo de esclarecer assuntos pendentes, expor ideias ou obter opiniões dos presentes. Série de depoimentos tomados por jornalista para ser divulgada na mídia.
A modalidade jornalística da entrevista é o tema de pesquisa da celeste ao longo dos próximos meses. Em chamada aberta nas redes sociais da revista, convidamos leitores e seguidores para sugerir novos formatos de realização e edição de entrevistas. Esta celeste #7 traz os primeiros resultados.
Entre os textos publicados, duas pérolas históricas: uma entrevista de Fabrícia Jordão com o artista Carlos Zilio, realizada no contexto de pesquisa de doutorado sobre as contribuições institucionais de artistas e intelectuais no campo das artes visuais durante o período da redemocratização brasileira; e a tradução de uma entrevista concedida pela poeta uruguaia Cristina Peri Rossi à professora da Universidade de Barcelona Aina Pérez Fontdevila, que abordam desejo, erotismo, linguagem, exílio, autoficção e performance de gênero, temas recorrentes na obra da escritora.
Para o desafio proposto de destruir a entrevista (como a conhecemos), a redação da celeste traz algumas experimentações de risco. A repórter Beatriz Ferro realiza uma “entrevista cartográfica” com Paulo Nazareth, em que as perguntas são feitas por meio de imagens das obras da série Notícias de América (2011-2012), levando o artista andarilho de volta à fronteira entre San Diego–Tijuana, à Nicarágua e a Nova York. Inversamente, Isabella Rjeille e André Mesquita, curadores da exposição Histórias da Ecologia, no Masp, são convidados a responder nossas perguntas com imagens de obras da exposição. Na modalidade que chamamos de “entrevista visual”, somos incitados a ler as imagens sem legendas.
Em reverberação ao projeto experimental, a diretora de arte Nina Lins elabora uma operação de desconstrução da revista (tal como a conhecíamos), apresentando novo projeto gráfico em que as matérias ganham autonomia em cadernos. Na capa, um quadro emoldura o vazio, em pintura de Maxwell Alexandre, entrevistado na edição por Juliana Monachesi. Na imagem da tabula rasa, a busca por destruir, a fim de repensar a linguagem: como interagimos e nos comunicamos.
Paula Alzugaray
Diretora de Redação