“Não sou um mecenas. Sou generoso de ter um espaço que poderia ser só meu estúdio, estou abrindo porque para mim me acresce e porque compartilha com todo mundo”, diz Oskar Metsavaht à seLecT. “Imagine agora com todos os meus amigos artistas, as performances. Divertido”, comenta ele. Esse é o novo Studio OM.art, que tem como vizinho a Carpintaria, filial da Galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, e fica na Vila Portugal, junto ao Hipódromo da Gávea, na Rua Jardim Botânico. A área pertence ao Jockey Club Brasileiro e está em processo de revitalização em parcerias com a iniciativa privada.
A exposição inaugural, feita com a Lei Rouanet, traz a remontagem de uma instalação de Hélio Oiticica (1937-1980), feita em 1971 com alunos em workshop na Universidade de Rhode Island, nos EUA. O curador é Cesar Oiticica Filho, sobrinho de HO, cineasta, fotógrafo e artista ele também. A instalação, com chão de brita, divide-se por telas coloridas e soltas em pequenos compartimentos transparentes, dentro dos quais há elementos diferentes, como galhos, um piano ou poemas em papel. A ideia original era permitir que outras pessoas usassem o espaço.
Cesinha, como é conhecido, chamou performers para atuarem ali. Na inauguração, a vez foi da artista paraense Berna Reale. “Eu não faço performance dentro de galeria”, disse ela, explicando por que não se apresentaria ao vivo. “Achei honesto e maduro que eu apresentasse um vídeo e eles aceitaram.” Assim, Berna exibe A Frio (2017), performance filmada em que aparece careca, com luvas e fone de ouvidos cor-de-rosa, literalmente enxugando gelo, numa labuta sem fim. Homens espalham com pás as pedras de gelo. Filmado numa fábrica de gelo em Belém do Pará, sabemos que ela ouve o canto litúrgico católico Vos Omnes, em latim, que repete como mantra: “Oh! Vós homens que passam, olhem e vejam se há dor como a minha dor”.
“Este é um organismo vivo”, diz o curador. “Vai ser sempre renovado pela ativação dos artistas. Luciana Magno vai trazer uma coisa bem forte: eles vão botar as pessoas para voar”, adianta.
Estão previstos ainda o Sofáraokê, do coletivo carioca Opavivará!, que vai botar o público para cantar, e Buruburu, performance do baiano Ayrson Heráclito, em que a pipoca, conhecida no candomblé como flor de Obaluaê, orixá das doenças e curas, vai ser oferecida ao público em banho ritual de limpeza de corpo e alma.
Sobre a linha de atuação do Studio OM.art, Oskar comenta: “Não quero ter uma identidade definida. Acho que o espaço vai ganhar a sua identidade”.
Serviço
Hélio Oiticica: Rhodislândia
Performances de Luciana Magno (23/6), Ayrson Heráclito (7/7) e Opavivará! (4/8)
Até 4 de agosto
Studio OM.art
Rua Jardim Botânico, 997 – Rio de Janeiro
om.art.br

