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Vista da instalação de Hélio Oiticica no Studio OM.art (Fotos: Márion Strecker)
Postado em 20/06/2018 - 4:14
Em busca de identidade
Oskar Metsavaht, fundador e diretor de criação da Osklen, abre espaço expositivo junto ao Hipódromo da Gávea, no Rio de Janeiro
Márion Strecker

“Não sou um mecenas. Sou generoso de ter um espaço que poderia ser só meu estúdio, estou abrindo porque para mim me acresce e porque compartilha com todo mundo”, diz Oskar Metsavaht à seLecT. “Imagine agora com todos os meus amigos artistas, as performances. Divertido”, comenta ele. Esse é o novo Studio OM.art, que tem como vizinho a Carpintaria, filial da Galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, e fica na Vila Portugal, junto ao Hipódromo da Gávea, na Rua Jardim Botânico. A área pertence ao Jockey Club Brasileiro e está em processo de revitalização em parcerias com a iniciativa privada.

A exposição inaugural, feita com a Lei Rouanet, traz a remontagem de uma instalação de Hélio Oiticica (1937-1980), feita em 1971 com alunos em workshop na Universidade de Rhode Island, nos EUA. O curador é Cesar Oiticica Filho, sobrinho de HO, cineasta, fotógrafo e artista ele também. A instalação, com chão de brita, divide-se por telas coloridas e soltas em pequenos compartimentos transparentes, dentro dos quais há elementos diferentes, como galhos, um piano ou poemas em papel. A ideia original era permitir que outras pessoas usassem o espaço.

Cesinha, como é conhecido, chamou performers para atuarem ali. Na inauguração, a vez foi da artista paraense Berna Reale. “Eu não faço performance dentro de galeria”, disse ela, explicando por que não se apresentaria ao vivo. “Achei honesto e maduro que eu apresentasse um vídeo e eles aceitaram.” Assim, Berna exibe A Frio (2017), performance filmada em que aparece careca, com luvas e fone de ouvidos cor-de-rosa, literalmente enxugando gelo, numa labuta sem fim. Homens espalham com pás as pedras de gelo. Filmado numa fábrica de gelo em Belém do Pará, sabemos que ela ouve o canto litúrgico católico Vos Omnes, em latim, que repete como mantra: “Oh! Vós homens que passam, olhem e vejam se há dor como a minha dor”.

“Este é um organismo vivo”, diz o curador. “Vai ser sempre renovado pela ativação dos artistas. Luciana Magno vai trazer uma coisa bem forte: eles vão botar as pessoas para voar”, adianta.

Estão previstos ainda o Sofáraokê, do coletivo carioca Opavivará!, que vai botar o público para cantar, e Buruburu, performance do baiano Ayrson Heráclito, em que a pipoca, conhecida no candomblé como flor de Obaluaê, orixá das doenças e curas, vai ser oferecida ao público  em banho ritual de limpeza de corpo e alma.

Sobre a linha de atuação do Studio OM.art, Oskar comenta: “Não quero ter uma identidade definida. Acho que o espaço vai ganhar a sua identidade”.

Serviço
Hélio Oiticica: Rhodislândia
Performances de Luciana Magno (23/6), Ayrson Heráclito (7/7) e Opavivará! (4/8)
Até 4 de agosto
Studio OM.art
Rua Jardim Botânico, 997 – 
Rio de Janeiro
om.art.br