Se você fechar os olhos, vai poder ouvir as vozes dos Malês se preparando para mudar o curso do tempo. Se preparando para fazer revolução. Nessa exposição, não é apenas a sua visão que é convocada. Ao visitar Ecos Malês, na Casa das Histórias de Salvador, todos os seus sentidos serão mobilizados para você se conectar com o espírito dos revolucionários de 1835. Na curadoria confiada a João Victor Guimarães e Mirella Ferreira, podemos sentir, perceber as ideas de insubmissão, o desejo de liberdade, a força da denúncia das opressões contra os colonizadores e os escravocratas de ontem – e de hoje.
As obras selecionadas para compor essa viagem no tempo-espaço contam sobre as raízes africanas dos Malês. Contam sobre a força do invisível. Mostram a importância da ancestralidade. Esses artistas, filhas e filhos dos Malês, levam adiante, por meio da pintura, da fotografia, da escultura ou da performance, a palavra dos Malês. Esses artistas, em início de trajetória, por alguns deles, ecoam a ideia atrás do maior levante urbano de escravizados nas Américas: sempre lutar para a sua dignidade.
Longe de qualquer tentativa de juntar obras para realizar um clássico retrato histórico, os curadores se colocaram ao serviço dos artistas para construir uma sinfonia de toques da cultura negra e africana. Optaram, de fato, por se aproximar do público, trazendo uma leitura contemporânea da filosofia que sustentou essa iniciativa, que mudou a história da Bahia e do Brasil e que teve uma repercussão internacional.
Nas comunidades africanas, há uma tecnologia ancestral que consiste em ampliar a voz da pessoa que faz uso da palavra, repetindo-a para que alcance mais longe. Com Ecos Malês, João e Mirella usaram essa tecnologia convidando artistas a repercutirem as vozes dos Malês no espaço e no tempo. Ao sair da exposição, você é convidada (o) a ecoar também essas vozes na sua vida, no seu dia a dia, se erguendo contra todas as ações e os discursos que negam a dignidade humana e a liberdade religiosa.
Serviço
Ecos Malês
Casa das Histórias de Salvador
Rua da Bélgica, 2. Salvador, Bahia
Terça a Domingo, das 9h às 17h
PRORROGADA ATÉ 31 DE AGOSTO
casadashistoriasdesalvador.com.br/ecos-males/
Mamadou Gaye é mestre em comunicação pela universidade Paris Sorbonne, pesquisador FAPESB e doutorando do Programa de Pós-graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia
(UFBA).