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Postado em 17/12/2024 - 5:11
MELHORES 2024: O ano da arte e do ativismo pretos
Confira os favoritos dos votantes nas categorias solo, coletiva, artista, instituição e livro de arte

Comigo Ninguém Pode, de Jeff Alan, no primeiro lugar na votação de melhor exposição individual do ano no Brasil pode surpreender alguns de nossos leitores, mas o nome pouco conhecido revela um movimento sísmico que está aquém e além de um único nome ou de uma exposição particular. A votação expressiva de Jeff Alan aponta a absoluta distinção e destaque da arte, do pensamento e do ativismo pretos no Brasil de hoje.

Como diz o curador Igor Simões sobre a arte preta, “não é uma onda, é um oceano inteiro”, e em todas as categorias dos Melhores 2024 vemos a afirmação comprovada de novo e outra vez: a arte mais relevante que se produz hoje no Brasil tem cor e é preta. Dalton Paula foi eleito o artista de maior destaque, o museu AfroBrasil foi escolhido como instituição de maior destaque, e o melhor livro do ano é, de acordo com a votação expressiva dos leitores da celeste, Negros na Piscina, de Diane Lima (org.), publicação da editora Fósforo. Na categoria exposição coletiva, Delírio Tropical, que realiza uma leitura da arte produzida em todo o país a partir da ótica de dois curadores paraenses, também traz fatores importantes: a relevância do pensamento amazônico e a descentralização do sistema de arte brasileiro. 

Com a participação de mais de 2.500 leitores da celeste em cinco dias, a votação dos Melhores de 2024 partiu de listas de dez indicações por categoria, feitas pela Redação da revista, oferecendo ao votante a possibilidade de inserir seus favoritos, caso não estivessem contemplados. Agradecemos a todos que, este ano, visitaram exposições, leram livros, fizeram campanha, votaram, indicaram, divulgaram e criticaram os Melhores e comemoraram conosco a possibilidade de se fazer arte no Brasil pré-pós-apocalíptico de 2024. Parabenizamos os mais votados por expressar uma ressonância inegável, urgente, irreprimível. Que venha 2025!

 

MELHOR EXPO SOLO

1. Jeff Alan, Comigo Ninguém Pode, Caixa Cultural (Salvador, BA, Fortaleza, CE, Recife, PE, Rio de Janeiro, RJ, São Paulo, SP)

2. Grada Kilomba, O Barco, Inhotim, MG

3.Lygia Clark: Projeto para um Planeta, Pinacoteca do Estado de São Paulo, SP

 

MELHOR EXPO COLETIVA

1. Delírio Tropical, Pinacoteca do Ceará, CE

2. Ecos Malês, Casa das Histórias de Salvador, BA

3. 38º Panorama da Arte Brasileira: Mil graus, MAM-SP, SP

 

ARTISTA DESTAQUE

1. Dalton Paula

2. Ventura Profana

3. Manauara Clandestina

 

INSTITUIÇÃO DE MAIOR DESTAQUE

1. Museu AfroBrasil, SP

2. Biblioteca Mário de Andrade, SP

3. Pivô Salvador, BA

 

LIVRO DE ARTE 

1. Negros na Piscina: Arte Contemporânea, Curadoria e Educação, Diane Lima, Fósforo

2. O Corpo da Linha, Edith Derdyk, Relicário Edições

3. Corporeidades Encruzilhadas – Paulo Nazareth e Cadernos de África, Paulo Nazareth e Napê Rocha, Cobogó