Na recente movimentação do cenário das artes visuais, curadores brasileiros independentes conquistam posições de destaque em instituições de relevância nacional e internacional. O Museu de Belas Artes de Taipei, organizador da representação de Taiwan na 61ª Bienal de Veneza, anunciou a participação do carioca Raphael Fonseca como curador do pavilhão.
Atual chefe do departamento de arte moderna e contemporânea latino-americana no Denver Art Museum, nos Estados Unidos, Fonseca foi curador-chefe da 14ª Bienal do Mercosul, ocasião em que colaborou pela primeira vez com o artista apresentado no pavilhão, Yi-Fan Li. Em Porto Alegre, o artista exibiu um vídeo na Fundação Iberê Camargo feito originalmente para a Bienal de Taipei de 2023, mas que respondia às questões levantadas pela proposta conceitual da mostra, que pensava noções de transformação, metamorfose e velocidade na contemporaneidade.
Em Veneza, no ano que vem, a colaboração na exposição individual Screen Melancholy [Melancolia de tela] ultrapassa fronteiras e linguagens, inaugurando uma nova camada na relação entre o curador e artista – desde o pensamento do título até a concepção do espaço expositivo. Raphael Fonseca conta à celeste que o projeto representa uma oportunidade de aprofundar a pesquisa de Yi-Fan Li e, ao mesmo tempo, de utilizar a Bienal de Veneza como uma plataforma de experimentação: “Não apenas para apresentar algo já familiar em seu trabalho, como um vídeo, mas para explorar dentro desse vídeo outras possibilidades – como uma série de esculturas – de modo mais radical”, afirma.
“A colaboração se dá não só como um aprendizado mútuo sobre o que nos interessa como curador e artista, e como ser humano, mas também como uma oportunidade de demonstrar em Veneza a potencialidade do artista para projetos futuros e que nos leva a pensar mais uma vez sobre as nossas relações com corpo, imagem, autoimagem, cultura, palavra, capitalismo, inteligência artificial, manipulação de imagem e vigilância”, completa o curador.
Já em Recife, a Oficina Francisco Brennand – marco cultural da cidade – terá seu programa que culminará nas celebrações do centenário de Francisco Brennand, em 2027, conduzido pela curadora, pesquisadora e crítica Camila Bechelany.
Com mais de duas décadas de atuação em museus, instituições e galerias de arte, entre elas o Centro Pompidou, Masp e Galeria Nara Roesler, Bechelany é a nova chefe de curadoria artística do museu-ateliê, fortalecendo o diálogo entre a preservação do legado do artista e o fomento de práticas artísticas e culturais contemporâneas.
Para a curadora, o novo projeto é mais do que ocupar uma função institucional. “Vejo esse momento como uma oportunidade de escuta de um espaço – complexo, cheio de história, com um grande diálogo com a natureza e uma arquitetura instigante. É uma oportunidade para mim também como profissional brasileira, de entrar em contato de forma mais profunda com outros espaços artísticos, fora do eixo centralizador do sistema da arte brasileira”, diz Bechelany à celeste.
Nos próximos dois anos, a instituição se dedica à celebração dos 100 anos do nascimento de Francisco Brennand – ocasião que a curadora vê como uma oportunidade de ampliar os processos tanto de experimentação quanto de internacionalização. “Assumir essa curadoria significa não somente reconhecer a importância de olhar para o legado de Brennand e o contexto específico do modernismo brasileiro sem fixá-lo em um momento, permitindo que surjam novas perguntas, relações e possibilidades de leitura entre gerações”, completa.
Isabella Rjeille, curadora do Masp, atualmente em cartaz com a mostra Histórias da Ecologia, divide com Vivian Crockett a curadoria da sexta edição da Trienal do New Museum, que inaugura em 2026 uma nova fase da instituição novaiorquina– sendo a primeira Trienal realizada após a conclusão do projeto de expansão do museu.