“Histórias fragmentadas de um museu nômade” é o subtítulo da publicação 55: um Paço depois do outro, lançada durante a Feira Nova, evento que reúne 20 artistas e editoras independentes no fim de semana de 20 e 21/9. Embora desde a sua fundação, em 1970, o Paço das Artes tenha de fato uma existência nômade, tendo ocupado cinco diferentes sedes na cidade de São Paulo, a ênfase dessa frase é a palavra museu. Ela não está aqui por acaso. Com a descoberta de 27 obras de arte que teriam sido doadas para o Paço das Artes entre 1970 e 1975, podemos começar a chama-lo de museu.
O Paço das Artes nasceu como uma “galeria pública”, funcionando no salão da Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo do Estado de São Paulo, na avenida Paulista. Mesmo que fisicamente nômade, ao longo das décadas se firmou como uma das mais importantes instituições de arte contemporânea do estado, tendo fomentado, apoiado e formado gerações e gerações de artistas e críticos de arte, dentro do programa Temporada de Projetos. O projeto do Paço é dedicado a realizar exposições de arte contemporânea, mas a formação de acervo nunca esteve entre os objetivos. Pelo menos não que se soubesse até hoje.
Segundo definição do ICOM, Conselho Internacional de Museus, um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade, que pesquisa, coleciona, conserva, interpreta e expõe patrimônio material e imaterial”. Os parâmetros de colecionismo e conservação implicam, portanto, que, para que seja considerada um museu, uma instituição deve necessariamente ter um acervo.

De Livio Abramo a Gerty Saruê
Na lista do Registro de Patrimônio de Obras do Paço das Artes, ou Livro de Tombo, figura uma lista de 46 obras de artistas como Humerto Espíndola, Ubirajara Ribeiro, Gerty Saruê, Livio Abramo, Thomaz Ianelli, entre outros. “Com essa informação, fui pesquisar no Diário Oficial, achei alguma informação nos processos da Secretaria de Cultura e consegui mapear 27 obras. Só consegui constatar que elas existiram e o Paço recebeu essas doações. O próximo passo é descobrir onde elas estão”, diz Débora Cristina a celeste. Entre os documentos, a historiadora localizou um oficio sobre uma obra que teria sido emprestada à Pinacoteca do Estado. “Quando saiu da Secretaria da Cultura, na avenida Paulista, o Paço ficou um tempo numa sala na Pinacoteca, sem espaço expositivo”, diz ela.

Enquanto transcorre a pesquisa sobre o passado e atualidade do acervo dos anos 1970, o Paço das Artes dá andamento ao projeto de se tornar um museu a partir da coleção em formação de arte digital e obras reprodutíveis de artistas contemporâneos brasileiros dos anos 2000. “Quando cheguei já havia uma vontade de formar um acervo de arte digital no Paço. Estamos retomando uma conversa com a Regina Silveira para a doação de obras e a Biarritzzz ja doou um vídeo. Como não temos uma reserva técnica, o digital é o que temos espaço para guardar”, diz Renato de Cara, curador chefe do Paço das Artes, à celeste.
Serviço:
Feira Nova
20 e 21/9
Paço das Artes, São Paulo