Por três anos as rotas foram brasileiras. A feira da SP-Arte realizada anualmente no segundo semestre abriu sendeiros e caminhos para o território nacional, trazendo galerias e projetos – como Xapiri Ground –, que não haviam entrado no circuito paulista. Hoje, a nova SP Arte Rotas ultrapassa fronteiras brasileiras, com representantes internacionais, sem perder de vista vínculos com a produção artística local.
“O evento é sobre a arte brasileira, que está inserida no mundo globalizado. Então a gente queria ampliar a visão da feira para não ficar restrito. E ter a possibilidade de ampliar justamente para proporcionar diálogos entre artistas”, comenta Fernanda Feitosa, diretora da SP Arte.
A galeria argentina Isla Flotante apresenta no seu estande um diálogo entre as pinturas de Rosario Zorraquín, de Buenos Aires, e as monotipias de Mira Schendel, exibidas em cortesia da galeria Gomide. O projeto propõe uma conversa interessante sobre a linguagem como superfícies em transformação. Enquanto as obras de Schendel flutuam no vazio, Zorraquín sobrepõe camadas em transparências.

Além de representar dois artistas brasileiros, Luiz Rocha e Ana Prata, a Isla Flotante abriu um escritório no centro de São Paulo há dois anos. Após participação da ArPa deste ano, a estreia na Rotas é apenas mais um passo na aproximação da rota entre a capital paulista e a argentina. Leopol Cazon, diretor da galeria, afirma que está não é só uma oportunidade de aumentar as vendas, mas também a circulação e desenvolvimento da carreira dos artistas. Além da praticidade das cidades estarem apenas há duas horas de voo de distância, é uma oportunidade expandir o seu programa.
ROTAS AMAZÔNIDAS
Já Xapiri Ground, um espaço de cultura amazônica estabelecido em Cusco, no Peru, faz sua primeira participação em feiras de arte apresentando o trabalho de Gerardo Petsaín Sharup. O artista alcança projeção internacional pela primeira vez com pinturas que retratam a cosmologia dos Wampís. Segundo Tui Anandi Prado, cofundador do projeto – que não representa artistas individualmente, e sim povos étnicos – a participação na feira é estratégica, já que Gerardo encontra hoje maior espaço para reconhecimento no mercado brasileiro do que no peruano.
“São rotas. Rotas que levam para múltiplos caminhos”, completa Feitosa. A feira segue até domingo, 31, na Arca, agitando o calendário paulista uma semana antes da abertura da 36º Bienal de São Paulo.
SP-Arte Rotas 2025
Até 31 agosto
Arca – Av. Manuel Bandeira, 360 – Vila Leopoldina, São Paulo
Ingressos no site