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América Invertida (1936), de Joaquín Torres-García [Foto: Cortesia Museo Torres-García]
Postado em 01/12/2011 - 7:05
Torres-García: La escuela del Sur
Autor da icônica obra América Invertida tem sua trajetória apresentada na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre

A vasta produção teórica do artista uruguaio Joaquín Torres-García (1874-1949) salta aos olhos na retrospectiva organizada na Fundação Iberê Camargo pelos curadores Alejandro Diaz e Jimena Perera, bisnetos do artista e diretores do museu que leva o seu nome em Montevidéu. Entre as 146 obras reunidas em Porto Alegre, há livros publicados e inéditos, desenhos, revistas e inúmeros manuscritos. Apresentados em vitrines em paralelo às telas, dão a medida do compromisso do artista com a reflexão sobre a arte moderna e com a sistematização de um pensamento universalista sobre a arte construtiva.

Títulos como El Descubrimiento de Sí Mismo (1917), Nova York: Impresiones de un Artista (1921), e Metafísica de la Prehistoria Indoamericana (1939), além de exemplares das revistas que editou ao longo de sua trajetória, evidenciam como texto e imagem são indissociáveis em sua obra. É em uma dessas vitrines que está exposto o pequeno nanquim sobre papel intitulado América Invertida (1936), o canônico mapa de ponta cabeça que aposta na radicalização de um movimento de arte construtiva que, com base na tradição universal, pudesse ser expressão de uma arte própria do novo continente.

As salas expositivas dos dois andares da fundação reservados à exposição propiciam um percurso cronológico que vai da “arte mediterrânea” dos anos 1910 ao “universalismo construtivo” das décadas de 1930 e 1940. Nascido em Montevidéu, Torres-García cresceu em Barcelona, onde realizou sua formação, longe da rigidez acadêmica e próximo de outros jovens intelectuais catalães, que frequentavam o cabaré artístico Els Quatre Gats. Colaborou com Antonio Gaudí nas obras do templo da Sagrada Família e cedo começou a trabalhar no que denominou “arte mediterrânea”, revisitando os fundamentos da arte ocidental inspirado pela cultura greco-romana. 

Na primeira sala da exposição, pinturas dessa fase mostram como a geometria já estava no cerne de interesses do artista, que representava figuras clássicas enquadradas por frontões e outras estruturas arquitetônicas. Seguem-se salas em que a cidade se torna protagonista de suas telas, feitas em Nova York e Paris, onde viveu nas décadas de 1920 e 1930. Em seguida, as obras de tendência construtiva, em que opera uma dissociação entre desenho e cor, construindo estruturas com linhas negras sobre planos de cor, retomando o grafismo que havia surgido em Nova York. Representações esquemáticas dão lugar, nas obras posteriores, a símbolos, marca registrada do uruguaio.

*Crítica publicada originalmente na seLecT #02